Dentre as diversas espécies cujas populações vêm sendo impactadas pela ação antrópica encontram-se os quelônios, nome dado ao grupo específico de animais que faz parte da classe dos répteis. Seus representantes mais conhecidos são as tartarugas (incluindo as marinhas e as de água doce), os cágados, os jabutis e os tracajás.
A tartaruga-da-Amazônia e o tracajá são uns dos mais importantes e conhecidos membros desse grupo que ocupam a extensa área da bacia do Tocantins-Araguaia. Essas duas espécies têm como habitat os rios, lagos e igarapés circundados por florestas ou matas ciliares, onde procuram por abrigo e alimentação. São predominantemente herbívoros, podendo se alimentar de crustáceos, moluscos, insetos, raízes, folhas, sementes, frutos e peixes nos fundos de lagos e rios.
Sabe-se que os quelônios têm desempenhado, historicamente, um papel importante como um dos recursos da fauna de relevante importância para as populações ribeirinhas, por serem utilizados como alimentação alternativa. Sua carne e ovos constituem excelente fonte de proteína, sua gordura e vísceras são utilizadas na fabricação de pomadas medicinais, sabonetes, cosméticos e adornos artesanais.
Os índios foram os primeiros consumidores de sua carne, ovos gorduras e vísceras. O costume indígena foi logo estendido às populações que vivem nas margens dos rios e lagos da Amazônia Legal, tornando-se um hábito alimentar, contudo, eles mantinham as populações em equilíbrio.
Posteriormente o homem civilizado foi atraído pela possibilidade de comércio da carne e principalmente pelo valor da manteiga dos ovos, muito procurada no mercado nacional e internacional. Existem documentos históricos que relatam a intensa predação sofrida pelos quelônios, sendo estimado que a destruição de ovos no período de 1700 a 1903 foi de 214 milhões, tendo as atividades de preparo de óleo e de manteiga extremamente organizadas.
Pela variedade de produtos extraídos desses animais, a utilização de quelônios tomou proporções de comércio potencial e lucrativo, a ponto de algumas espécies correrem risco de extinção. Medidas visando à conservação e à redução da atividade predatória foram oficializadas em 1967, com a Lei 5.197/67 que dispõe sobre a proteção à fauna. Na década de 70, os quelônios, em especial as espécies Padocnemis expansa (tartaruga-da-Amazônia) e Padocnemis unifilis (tracajá), estavam na lista de animais ameaçados de extinção (IBAMA/RAN).
O Projeto Quelônios do Tocantins vem apresentando resultados positivos, tais como o aumento das populações de tartaruga-da-amazônia e de tracajá e a elevação do nível de consciência das comunidades tradicionais tidas como predadoras dos quelônios.
O início do projeto ocorreu em 1995, quando uma equipe de fiscais ambientais percorria todos os dias, aproximadamente 20 quilômetros do rio Formoso no intuito de proteger 15 praias com potencial para desova dos quelônios.
A ação pretendia restabelecer o estoque de quelônios no Tocantins. Atualmente, os técnicos da Coordenadoria de Áreas Protegidas do Naturatins realizam o monitoramento, manejo e proteção dos animais em 28 praias e ilhas dos rios Araguaia, Tocantins e no lago da UHE Luís Eduardo Magalhães.
O projeto é desenvolvido em quatro bases por técnicos da Coordenadoria, das agencias do NATURATINS e também conta com apoio de. A primeira base fica na praia do Angical, região de Araguatins, e abrange vários assentamentos. A segunda está localizada no município de Araguacema, na ilha da Onça. Outra base está instalada na praia do Canuto, na barra do Rio Javaezinho, no Parque Estadual do Cantão, próximo ao município de Caseara. A quarta base fica nos municípios de Brejinho de Nazaré.
E até o ano de 2008 foram protegidos mais de 850 mil filhotes de tartaruga da amazônia e tracajá
